- Para Benedicto Monteiro -
Caminheiro errante Orfeu demente
nascido entre cipós e jarandubas
nas brenhas deste verde labirinto
em ano dia e hora sepultados
a sete palmos da memória turva,
aqui deixo este canto calcinado
pelo fogo insaciável das palavras
àqueles que procuram na existência,
uma razão qualquer para viver.
Rasgando o medo e a dor fazendo fendas
na vida eis-me aqui para dizer-te
que vi um girassol desabrochando
sob o lençol de uma manhã vindoura.
E tu – fonte de sonhos lacerados
pelo peso do lenho e dos pecados –
que tens de alvissareiro a me dizer?
Acaso vislumbraste no horizonte
algum novo caminho alguma ponte
que te ponha a salvo do motim?
O tempo dita as regras deste jogo:
depois de batizar-te a ferro e fogo
te enforcará com os raios da manhã!
Já declina o Sol . A noite avulta!
É tempo de explorar a margem oculta
desse rio de mitos e conflitos.
Eu sou. Tu és. Nós somos afluentes
desse rio – medula do universo
que nasce no infinito e desemboca
no âmago do Ser que somos parte.
Agora que já sabes que és rio
deves saber também que o teu destino
é fazer teu caminho caminhando:
tu és ao mesmo tempo oleiro e barro
tu és num só momento o boi e o carro!
E como rio deves morrer todas as noites
e renascer todos os dias sempre menino
e sempre outro – embora sendo o mesmo
que há milênios corre entre delírios
de lendas e contendas reveladas
nas pedras que circundam mil segredos!...
É preamar. Em plenilúnio a Lua desponta
e monta guarda enquanto o Sol descansa.
Indiferente o rio corre na Vida
e a Vida por sua vez corre no rio;
o rio fez do correr perene lida
e a vida do viver eterno cio...

Antonio Juraci Siqueira
na vida eis-me aqui para dizer-te
que vi um girassol desabrochando
sob o lençol de uma manhã vindoura.
E tu – fonte de sonhos lacerados
pelo peso do lenho e dos pecados –
que tens de alvissareiro a me dizer?
Acaso vislumbraste no horizonte
algum novo caminho alguma ponte
que te ponha a salvo do motim?
O tempo dita as regras deste jogo:
depois de batizar-te a ferro e fogo
te enforcará com os raios da manhã!
Já declina o Sol . A noite avulta!
É tempo de explorar a margem oculta
desse rio de mitos e conflitos.
Eu sou. Tu és. Nós somos afluentes
desse rio – medula do universo
que nasce no infinito e desemboca
no âmago do Ser que somos parte.
Agora que já sabes que és rio
deves saber também que o teu destino
é fazer teu caminho caminhando:
tu és ao mesmo tempo oleiro e barro
tu és num só momento o boi e o carro!
E como rio deves morrer todas as noites
e renascer todos os dias sempre menino
e sempre outro – embora sendo o mesmo
que há milênios corre entre delírios
de lendas e contendas reveladas
nas pedras que circundam mil segredos!...
É preamar. Em plenilúnio a Lua desponta
e monta guarda enquanto o Sol descansa.
Indiferente o rio corre na Vida
e a Vida por sua vez corre no rio;
o rio fez do correr perene lida
e a vida do viver eterno cio...
Antonio Juraci Siqueira
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